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Retrato desenhado de Lobivar Matos, jovem, com o cabelo penteado para trás.
Lobivar Matos

Sarobá

Bairro de negros negros descalços, camisa riscada, beiçolas caídas, cabelo carapinhé; negras carnudas rebolando as curvas, bebendo cachaça; negrinhos sugando as mamas murchas das negras, negrinhos correndo doidos dentro do mato, chorando de fome.

Bairro de negros, casinhas de lata, água na bica pingando, escorrendo, fazendo lama; roupa estendida na grama; Esteira suja no chão duro, socado; lampeão de querosene piscando no escuro; negra abandonada na esteira tossindo e batuque chiando no terreiro; negra tuberculosa escarrando sangue, afogando a tosse seca no eco de uma voz mole que se arrasta a custo pelo ar parado.

Bairro de negros, mulatas sapateando, parindo sombras magras, negros gozando, negros beijando, negros apalpando carnes rijas; negros pulando e estalando os dedos em requebros descontrolados; vozes roucas gritando sambas malucos e sons esquisitos agarrando e se enroscando nos nervos dos negros.

Bairro de negros, chinfrim, bagunça, Sarobá.

Sobre este poema

Autor
Lobivar Matos (1915-1947)
Livro
Sarobá. Rio de Janeiro: Minha Livraria Editora, 1936
Narração
Em gravação, por estudantes do IFMT
Direitos
Domínio público: o autor morreu em 1947
Retrato
Desenho reproduzido do site de Antonio Miranda autoria a confirmar

Poema de abertura do livro. Palavras conforme a revista Polifonia (UFMT, 2012); divisão em estrofes conforme três outras fontes que concordam entre si. Conferir com a edição de 1936.

Projeto da professora Raimone Fagundes, IFMT Campus Cuiabá. Começou em 2018 com a turma 2BM de Agrimensura.

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A letra de alta legibilidade foi desenhada para quem tem baixa visão.

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