Sarobá
Bairro de negros negros descalços, camisa riscada, beiçolas caídas, cabelo carapinhé; negras carnudas rebolando as curvas, bebendo cachaça; negrinhos sugando as mamas murchas das negras, negrinhos correndo doidos dentro do mato, chorando de fome.
Bairro de negros, casinhas de lata, água na bica pingando, escorrendo, fazendo lama; roupa estendida na grama; Esteira suja no chão duro, socado; lampeão de querosene piscando no escuro; negra abandonada na esteira tossindo e batuque chiando no terreiro; negra tuberculosa escarrando sangue, afogando a tosse seca no eco de uma voz mole que se arrasta a custo pelo ar parado.
Bairro de negros, mulatas sapateando, parindo sombras magras, negros gozando, negros beijando, negros apalpando carnes rijas; negros pulando e estalando os dedos em requebros descontrolados; vozes roucas gritando sambas malucos e sons esquisitos agarrando e se enroscando nos nervos dos negros.
Bairro de negros, chinfrim, bagunça, Sarobá.

