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Retrato desenhado de Lobivar Matos, jovem, com o cabelo penteado para trás.
Lobivar Matos

Marechal

- Quem te fez essa corcunda? Preto velho, me conta sua história?

E o preto velho, Marechal, começou:

- Foi a vida. Foi a escravidão, Sinhô. Em 1910 eu era marinheiro, cabra da peste, negro decidido.

João Cândido pôs fogo no meu sangue e meu sangue ferveu, engruvinhou na panela da Revolução. Mas, nós, os negros não temos escola, temos coração.

E os brancos, os homens de cartola traíram os negros com palavras bonitas que aprenderam na escola. Depois disso nós ficamos como palha seca na balança da vida: pesando nada. Uma noite... mistério? reza? ... não sei... As correntes cederam e o cabra da peste caiu na água. Nadei... nadei... Despois... despois... A história é comprida...

E o preto velho me bateu no ombro, pôs um pedaço de fumo na boca, sorriu... gargalhou... e saiu arrastando os chinelos na calçada.

A história é comprida ... .

Sobre este poema

Autor
Lobivar Matos (1915-1947)
Livro
Sarobá. Rio de Janeiro: Minha Livraria Editora, 1936
Narração
Em gravação, por estudantes do IFMT
Direitos
Domínio público: o autor morreu em 1947
Retrato
Desenho reproduzido do site de Antonio Miranda autoria a confirmar

Ortografia atualizada, conforme a revista Norte@mentos (Unemat, 2019), que cita a edição da Academia Mato-Grossense de Letras de 2008. Conferido com a tese de Susylene Dias de Araujo.

Projeto da professora Raimone Fagundes, IFMT Campus Cuiabá. Começou em 2018 com a turma 2BM de Agrimensura.

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A letra de alta legibilidade foi desenhada para quem tem baixa visão.

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