Esmola
É verdade – me disse o moço sujo da esquina – quando menino, toda vez que tropeçava e caía sempre encontrava alguém para me levantar.
- Levanta, batuta, para cair outra vez!
Agora, que sou farrapo de homem, que queria ser homem, que já tropecei por este mundo a fóra, que já cansei de ficar no chão, não encontro ninguem que me tire da sargeta. Pelo contrario, parece, ninguem me quer ver de pé. Passam e jogam níqueis no meu chapéu furado.
Esses idiotas pensam que me fazem bem, que pagam uma prestação do céu, e que a esmola que me atiram, humilhados e humilhantes, me serve para alguma coisa.
- Idiotas! Imbecis! Criminosos!

