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Retrato desenhado de Lobivar Matos, jovem, com o cabelo penteado para trás.
Lobivar Matos

Esmola

É verdade – me disse o moço sujo da esquina – quando menino, toda vez que tropeçava e caía sempre encontrava alguém para me levantar.

- Levanta, batuta, para cair outra vez!

Agora, que sou farrapo de homem, que queria ser homem, que já tropecei por este mundo a fóra, que já cansei de ficar no chão, não encontro ninguem que me tire da sargeta. Pelo contrario, parece, ninguem me quer ver de pé. Passam e jogam níqueis no meu chapéu furado.

Esses idiotas pensam que me fazem bem, que pagam uma prestação do céu, e que a esmola que me atiram, humilhados e humilhantes, me serve para alguma coisa.

- Idiotas! Imbecis! Criminosos!

Sobre este poema

Autor
Lobivar Matos (1915-1947)
Livro
Sarobá. Rio de Janeiro: Minha Livraria Editora, 1936
Narração
Em gravação, por estudantes do IFMT
Direitos
Domínio público: o autor morreu em 1947
Retrato
Desenho reproduzido do site de Antonio Miranda autoria a confirmar

Ortografia de 1936, conforme a transcrição de Antonio Miranda. Conferido com a tese de Susylene Dias de Araujo (UEL, 2009).

Projeto da professora Raimone Fagundes, IFMT Campus Cuiabá. Começou em 2018 com a turma 2BM de Agrimensura.

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A letra de alta legibilidade foi desenhada para quem tem baixa visão.

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