Falando à pena
Velha pena, que a magia me minora Companheira nas horas de agonia, Inda uma vez, em lânguida poesia Vem traduzir o meu sofrer, agora.
Tenho no peito a dor. A treva mora Em minh’alma. Jamais a luz do dia pôde clarear a escura noite fria, que o coração me veste, e me devora.
Pena querida, treme entre os meus dedos, e penetra do berço nos segredos, triste, queixosa, trêmula, com calma,
Vai traduzindo a minha dor, conquanto cada poesia fale do meu pranto E fale cada estrofe de minh’alma.

