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Fotografia de Leônidas de Matos adulto, de terno e gravata, com o cabelo penteado para trás.
Leônidas de Matos

Do Acaso e do Silêncio

Nas horas derradeiras do Sol morrer, o ocaso, evocativo, parece uma paisagem simbolista... É violeta... é sangue... é ouro vivo... Tem a cor da saudade e da ametista das plangentes olheiras...

Longe, em ruínas, a torre secular, isolada entre as árvores, levanta o seu perfil, em cismas dolorosas... Olha à distância, espia a ver que crente vem para rezar a oração derradeira ao fim do dia...

Despetalam-se rosas... Uma cigarra ao longe canta... Cai sobre a terra uma saudade roxa... Um silêncio de seda... E a luz vai a fugir... é frouxa... é frouxa, debatendo-se aos troncos da alameda...

Ó silêncio da tarde que me exortas!... Ó silêncio... ...amigo das igrejas mortas... das alcovas esquecidas, os beijos que morreram soluçando, onde a saudade vai ouvir, chorando, as palavras perdidas, que caladas morreram no silêncio...

Amo-te, hora, em que o Ângelus dolente, na luz crepuscular, Chora saudades brancas pelo ar!... Ó misticismo azul do pôr do Sol! Ó pedrarias vivas do arrebol! Ó quadro simbolista do poente!...

Sobre este poema

Autor
Leônidas de Matos (1894-1936)
Livro
Transcrito em História da literatura mato-grossense, de Rubens de Mendonça (ed. 2015, p. 151)
Narração
Em gravação, por estudantes do IFMT
Direitos
Domínio público: o autor morreu em 1936
Retrato
Fotografia do Arquivo Nacional, via Wikimedia Commons, CC0

O poema fala do ocaso, o pôr do sol; o título original talvez seja “Do Ocaso e do Silêncio”. Mantido como na fonte.

Projeto da professora Raimone Fagundes, IFMT Campus Cuiabá. Começou em 2018 com a turma 2BM de Agrimensura.

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