Do Acaso e do Silêncio
Nas horas derradeiras do Sol morrer, o ocaso, evocativo, parece uma paisagem simbolista... É violeta... é sangue... é ouro vivo... Tem a cor da saudade e da ametista das plangentes olheiras...
Longe, em ruínas, a torre secular, isolada entre as árvores, levanta o seu perfil, em cismas dolorosas... Olha à distância, espia a ver que crente vem para rezar a oração derradeira ao fim do dia...
Despetalam-se rosas... Uma cigarra ao longe canta... Cai sobre a terra uma saudade roxa... Um silêncio de seda... E a luz vai a fugir... é frouxa... é frouxa, debatendo-se aos troncos da alameda...
Ó silêncio da tarde que me exortas!... Ó silêncio... ...amigo das igrejas mortas... das alcovas esquecidas, os beijos que morreram soluçando, onde a saudade vai ouvir, chorando, as palavras perdidas, que caladas morreram no silêncio...
Amo-te, hora, em que o Ângelus dolente, na luz crepuscular, Chora saudades brancas pelo ar!... Ó misticismo azul do pôr do Sol! Ó pedrarias vivas do arrebol! Ó quadro simbolista do poente!...

