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Antônio Cláudio Soído

Milagre

Quando, senhora, vos envio ou dou-vos Tão escuro presente,

Que idéia tive eu, que pensamento Me atravessou a mente?

Do vegetal combusto oferecer-vos Pulverulenta quarta!...

Mas deixai-me falar e, após, senhora, Ride até ficar farta.

Da água do mar, enjoativa, amarga, Extrai o sol a chuva tão querida; Em seu laboratório a terra muda O vil adubo em condição de vida!

A arte humana, sombra da divina, Também transforma escórias num tesouro, E vós, que a possuís em alta escala, Podeis mudar esse carvão em ouro.

Sobre este poema

Autor
Antônio Cláudio Soído (1822-1889)
Livro
Transcrito em História da literatura mato-grossense, de Rubens de Mendonça (ed. 2015, p. 34)
Narração
Em gravação, por estudantes do IFMT
Direitos
Domínio público: o autor morreu em 1889

Texto conforme a transcrição de Rubens de Mendonça, com a grafia da fonte. Conferir com a publicação original.

Projeto da professora Raimone Fagundes, IFMT Campus Cuiabá. Começou em 2018 com a turma 2BM de Agrimensura.

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