Milagre
Quando, senhora, vos envio ou dou-vos Tão escuro presente,
Que idéia tive eu, que pensamento Me atravessou a mente?
Do vegetal combusto oferecer-vos Pulverulenta quarta!...
Mas deixai-me falar e, após, senhora, Ride até ficar farta.
Da água do mar, enjoativa, amarga, Extrai o sol a chuva tão querida; Em seu laboratório a terra muda O vil adubo em condição de vida!
A arte humana, sombra da divina, Também transforma escórias num tesouro, E vós, que a possuís em alta escala, Podeis mudar esse carvão em ouro.

