Coração...
Coração, coração... Leito de plumas brancas, luxuriantes, – macio, veludoso, calmo e brando... De quando em quando – um vulcão!
Um Vesúvio de lavas crepitantes, em plena erupção! Coração pára-beijos; coração pára-raios; Antena – muita vez para meros ensaios...
Relicário de tantas ilusões! Ninho de fantasias, Escrínio de alegrias, – Cofre de emoções!
É o solar da descrença e o castelo da fé. Câmara mortuária e sala do cabaré. É um escravo d’alma, lacaio de matéria, torre de altruísmo e gruta da miséria.
Esconde o crime, o vício, agasalha a virtude, tugúrio de gemidos, soluços e inquietude, – coração pára-raios! Ó coração antena! Favo de mel às vezes, e muita vez gangrena! Coração, treva e luz, Glória e horror! É um posto para a cruz; – Um vaso para flor!
Canteiro, vivem nele a flor do bem, do mal... Antro, caverna, alcouce, – catedral!

