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Pedro de Medeiros

Coração...

Coração, coração... Leito de plumas brancas, luxuriantes, – macio, veludoso, calmo e brando... De quando em quando – um vulcão!

Um Vesúvio de lavas crepitantes, em plena erupção! Coração pára-beijos; coração pára-raios; Antena – muita vez para meros ensaios...

Relicário de tantas ilusões! Ninho de fantasias, Escrínio de alegrias, – Cofre de emoções!

É o solar da descrença e o castelo da fé. Câmara mortuária e sala do cabaré. É um escravo d’alma, lacaio de matéria, torre de altruísmo e gruta da miséria.

Esconde o crime, o vício, agasalha a virtude, tugúrio de gemidos, soluços e inquietude, – coração pára-raios! Ó coração antena! Favo de mel às vezes, e muita vez gangrena! Coração, treva e luz, Glória e horror! É um posto para a cruz; – Um vaso para flor!

Canteiro, vivem nele a flor do bem, do mal... Antro, caverna, alcouce, – catedral!

Sobre este poema

Autor
Pedro de Medeiros (1891-1943)
Livro
Poesias-Crônicas-Comentários (póstumo, org. Djalma de Medeiros), Corumbá, 1967, p. 38; transcrito em História da literatura mato-grossense, de Rubens de Mendonça (ed. 2015, p. 146-147)
Narração
Em gravação, por estudantes do IFMT
Direitos
Domínio público: o autor morreu em 1943

Texto conforme Rubens de Mendonça. A edição de 1967 tem algumas variantes.

Projeto da professora Raimone Fagundes, IFMT Campus Cuiabá. Começou em 2018 com a turma 2BM de Agrimensura.

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