Quimera
Tarde fria de inverno... a chuva e o vento Fustigam fora os prados e o arvoredo E minha alma parece em tal momento Da natureza um simples arremedo.
Qual peregrino displicente e quedo Procuro à senda do meu pensamento Em vão livrar-me do falaz degredo Desvencilhar-me em vão d’esse tormento.
Eis quando em sonho tu me vens, lasciva A desvendar-me esplêndida, furtiva, O etéreo amor num cântico imortal...
Cedo, porém, tudo reduz-se a pó, Frágil quimera em taças de cristal... Pois que desperto e sinto que estou só!...

