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Francisco Bianco Filho

Quimera

Tarde fria de inverno... a chuva e o vento Fustigam fora os prados e o arvoredo E minha alma parece em tal momento Da natureza um simples arremedo.

Qual peregrino displicente e quedo Procuro à senda do meu pensamento Em vão livrar-me do falaz degredo Desvencilhar-me em vão d’esse tormento.

Eis quando em sonho tu me vens, lasciva A desvendar-me esplêndida, furtiva, O etéreo amor num cântico imortal...

Cedo, porém, tudo reduz-se a pó, Frágil quimera em taças de cristal... Pois que desperto e sinto que estou só!...

Sobre este poema

Autor
Francisco Bianco Filho (1901-1947)
Livro
Revista da Academia Mato-Grossense de Letras, edição do Jubileu de Diamante, 1996, p. 219 (reproduzido na revista dos 95 anos, 2016, p. 56)
Narração
Em gravação, por estudantes do IFMT
Direitos
Domínio público: o autor morreu em 1947

Ortografia atualizada pela Academia Mato-Grossense de Letras.

Projeto da professora Raimone Fagundes, IFMT Campus Cuiabá. Começou em 2018 com a turma 2BM de Agrimensura.

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